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03/06/2016 | 20h:09

Equívocos e má formação são alguns dos gargalos da avaliação psicológica, segundo especialistas.

A avaliação psicológica tem recebido bastante destaque nos últimos anos, apesar diversos problemas relacionados à atuação profissional inadequada na área, bem como problemas de formação, venham sendo apontados por especialistas e profissionais da Psicologia.

Para discutir o contexto de trabalho, abordagens, teorias e construção de instrumentos para avaliações psicológicas, o Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso do Sul (CRP14/MS) juntamente com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul realizaram o I Ciclo de Diálogos sobre as práticas da Avaliação Psicológica.

Durante os dois dias de evento, os participantes puderam aprender mais sobre um procedimento importante para Psicologia, que integra informações provenientes de diversas fontes, como testes, técnicas, entrevistas, observações e análise de documentos. É por meio da avaliação psicológica, que a/o psicóloga/o investiga diferentes características psicológicas como emoção, afeto, cognição, inteligência, motivação, personalidade, atenção, memória, percepção, entre outros.

Os principais questionamentos levantados na ocasião mostraram o uso inadequado dos testes psicológicos, a falta de qualidade dos instrumentos, a baixa qualidade dos laudos e nos diagnósticos equivocados. Tudo isso, segundo a professora e pesquisadora Acácia Aparecida Angeli dos Santos (CRP06/1514-SP) é reflexo de má formação da/o profissional.

“Na realidade o que se percebe é que as/os profissionais têm uma má formação em termos da área de avaliação psicológica. E essa má formação compromete a visão teórica e prática que eles têm da avaliação, o que leva a erros e equívocos que se tornam graves, porque a avaliação psicológica sempre leva a uma tomada de decisão sobre as pessoas que são submetidas a esse procedimento”, ponderou Acácia. 

O uso errado da avaliação psicológica é um das maiores preocupações entre as/os profissionais, pesquisadores e CRP14/MS. Para Acácia, os equívocos nos testes comprometem as pessoas e processos. Por exemplo, o uso errado de uma avaliação em um processo de admissão profissional pode resultar na exclusão de uma pessoa apta para vaga e com perfil esperado. No campo forense, sua aplicação no contexto forense, relacionado à questão de guarda familiar, pode gerar decisões judiciais conflituosas. 

Em todos os casos, o resultado obtido pela aplicação errada da avaliação acarreta consequências sérias para os sujeitos envolvidos no processo. Por isso, Acácia alerta: “Grande parte dos processos éticos dos Conselhos Regionais são oriundos de falhas em processos de avaliação que se refletem em um relatório mal feito, na forma como o processo foi organizado, muitas vezes sem o devido planejamento. Então, essas falhas técnicas levam a falhas éticas importantes”.

Mas, apesar dos problemas, a área da avaliação psicologia evoluiu bastante nos últimos anos. A professora Monalisa Muniz (CRP06/94476-SP), especialista na construção de instrumentos psicológicos comenta que hoje existem instrumentos mais precisos e confiáveis. “A construção de instrumentos é um processo demorado feito com respaldo científico. Precisamos da teoria para elaborar esses instrumentos, bem como é necessário o longo planejamento para definir o que se quer com eles. Feito tudo isso, é importante que melhorar a formação da/o psicóloga/o para que melhore a seleção dos instrumentos”, afirmou

Tanto Monalisa, quanto Acácia acreditam que a falta de uma compreensão mais ampla da avaliação prejudica o desenvolvimento da área. “A/o psicóloga/o está sempre fazendo uma avaliação. Quando ela/e vai atender no posto de saúde, ao conversar com os pacientes, ela/e está pensando em hipóteses sobre o que está acontecendo com essas pessoas. Isso é um raciocínio de avaliação psicológica. E o que falta é o entendimento da avaliação psicológica como algo que perpassa toda atividade da Psicologia, sem isso, o processo de avaliação será sempre estigmatizado. Precisamos romper esse comportamento para avançarmos na formação”, concluiu Acácia.  

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