O Quilombo Tia Eva, localizado em Campo Grande (MS), tornou-se o primeiro território quilombola do Brasil oficialmente tombado como patrimônio cultural, segundo informações divulgadas pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ). Em diálogo com esse momento de valorização da história e da memória quilombola, o Conselho Regional de Psicologia da 14ª Região (CRP14/MS) promove, no dia 31 de julho, das 14h às 16h, a live de lançamento da Referência Técnica para Atuação de Psicólogas(os) junto aos Povos Quilombolas. A data também comemora o Dia da Mulher Africana, reforçando a importância de reconhecer as histórias, os saberes e as lutas das mulheres negras e africanas, em diálogo com a valorização da memória e da identidade dos povos quilombolas.
O encontro será realizado pelo Google Meet, com transmissão pelo YouTube e interpretação em libras, e contará com a mediação da conselheira Niara Muntu (Tathiane A. R. Cortez – CRP 14/06411-8), psicóloga, doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Durante a transmissão, será apresentada a Referência Técnica, publicação que reúne orientações para a atuação profissional junto às comunidades quilombolas que dá continuidade a um processo de construção iniciado anteriormente. Como aponta a própria publicação: “Esta Referência Técnica para atuação de Psicólogas(os) junto aos Povos Quilombolas reflete a terceira linha dos desdobramentos que surgem como proposta nos anos 2010 e 2013.”
A Referência também chama atenção para os impactos do racismo na saúde mental e para os desafios encontrados no cotidiano profissional. “A produção de sofrimento psíquico em função de situações de racismo tem sido um grande desafio na prática profissional, em diferentes equipamentos das políticas públicas.”
Outro aspecto abordado na publicação é a importância de considerar os saberes tradicionais quilombolas na construção das práticas de cuidado. A partir de Araújo, Damasceno e Silveira (2023), a Referência Técnica aponta que esses saberes podem contribuir para a atuação da Psicologia e de outras áreas da saúde quando profissionais se dispõem a conhecer os territórios e aprender com as pessoas mais velhas e com os conhecimentos construídos localmente.
A publicação também problematiza práticas que colocam as populações negras apenas no lugar do sofrimento e das vulnerabilidades, sem considerar sua autonomia e capacidade de autodeterminação. Essa perspectiva reforça a necessidade de uma atuação profissional que não trate as comunidades quilombolas a partir de uma lógica assistencialista, mas que reconheça seus saberes, suas formas de organização e seus modos próprios de construir cuidado.
O encontro busca contribuir para uma atuação profissional comprometida com os direitos humanos e com o respeito às especificidades das comunidades quilombolas, fortalecendo o diálogo entre a Psicologia e os territórios.
O link para participação e transmissão será divulgado nos canais oficiais do CRP14/MS.