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CRP14/MS celebra 30 Anos de história no mês da Psicologia

O Conselho Regional de Psicologia da 14ª Região (CRP14/MS) realizou, no dia 22 de agosto, o segundo evento da programação comemorativa de seus 30 anos. No auditório do Bloco A da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande, o encontro reuniu conselheiras e conselheiros, profissionais, estudantes e convidados para discutir a trajetória da Psicologia em Mato Grosso do Sul e os desafios atuais e futuros da profissão. A programação contou com a participação de Ivani Francisco de Oliveira, conselheira-presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Vanessa Terena, conselheira-secretária e co-coordenadora da Comissão de Direitos Humanos do CFP para a Região Centro-Oeste, Jaqueline Gomes de Jesus, co-coordenadora da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP, além de profissionais renomados como Neuza Maria de Fátima Guareschi e Pedro Paulo Gastalho de Bicalho.

Na abertura, a presidenta do CRP14/MS, Camilla Fernandes Marques (CRP 14/05662-7), destacou a Psicologia como ciência e profissão e lembrou a trajetória construída pelo Conselho ao longo de três décadas. Agradeceu às pessoas que contribuíram para representar, escutar, orientar e fiscalizar o exercício profissional e anunciou a proximidade da inauguração da nova sede, projeto iniciado em 2013 e pensado para ampliar o acolhimento à categoria, funcionários, conselheiras e conselheiros e à sociedade. Ivani Francisco de Oliveira  (CRP 06/121139) retomou a história do desmembramento que deu origem ao CRP14/MS e parabenizou o Conselho pela trajetória construída no estado. Ao abordar o Dia da Psicóloga e do Psicólogo, celebrado em 27 de agosto, lembrou a origem da data e a perspectiva de chamá-la de Dia Nacional das Psicologias. Também defendeu uma Psicologia comprometida com a democracia, os direitos humanos e a transformação social.

Desafios contemporâneos passam pelos territórios e pela formação

A segunda mesa, “Desafios contemporâneos da Psicologia: Brasil e Mato Grosso do Sul”, foi mediada por Camilla Fernandes Marques e contou com Ivani Francisco de Oliveira e Vanessa Terena (CRP 14/07450-9). Vanessa apresentou uma perspectiva indígena sobre a ideia de futuro, destacando uma compreensão de tempo que aproxima presente e futuro. Ao falar sobre Mato Grosso do Sul, parabenizou a atuação do Conselho e ressaltou a pluralidade construída pela Psicologia no estado e sua importância para o debate nacional. “A Psicologia sul-mato-grossense vive um futuro muito bonito e a gente precisa mostrar isso para o Brasil”, afirmou.

Ivani relacionou o futuro à ancestralidade e abordou desafios como a implementação da Resolução CFP nº 005/2025, que regulamenta o estágio em Psicologia, e a responsabilidade das clínicas-escola no atendimento à população. A discussão também passou pela presença da Psicologia nas políticas públicas, pelas condições de trabalho, pela formação profissional e pela regulamentação da psicoterapia. Para a presidenta do CFP, a regulamentação deve contribuir para proteger a sociedade e assegurar atendimento psicológico com formação adequada, responsabilidade, ética e técnica.

Direitos humanos entram no centro do debate

Na sequência, foi lançado o Volume II do Boletim da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CDH) do CFP, em uma mesa aberta por Vanessa Terena e conduzida por Jaqueline Gomes de Jesus  (CRP 05/49337), co-coordenadora da Comissão. Jaqueline apresentou a construção coletiva da publicação e sua diversidade de perspectivas, com conteúdos relacionados às questões afro, indígenas e LGBTQIA+. Entre os trabalhos está o artigo “Migração Indígena Transnacional e a Produção Institucional das Vulnerabilidades no Brasil”.

A psicóloga Luara Matos  (CRP 22/04324) abordou a contribuição dos saberes ancestrais, das medicinas indígenas e dos processos coletivos de subjetivação para a Psicologia. Vitória Lisboa (CRP 11/09635) destacou a presença ainda reduzida das questões étnico-raciais na formação profissional, enquanto Henrique Galhano Balieiro (CRP 04/46512) chamou atenção para a realidade de povos indígenas que circulam por territórios que ultrapassam fronteiras nacionais e para a necessidade de políticas de acolhimento que considerem essas singularidades. Ao encerrar a mesa, Ivani destacou os direitos humanos como um dos pilares do Código de Ética Profissional da Psicologia.

O que significa inovar na Psicologia?

A programação foi encerrada com a terceira mesa, “O futuro da Psicologia: inovação, ética e compromisso social”, mediada pela vice-presidenta do CRP14/MS, Bárbara Marques Rodrigues (CRP 14/06285-4), e composta por Jaqueline Gomes de Jesus, Neuza Maria de Fátima Guareschi (CRP 07/01309) e Pedro Paulo Gastalho de Bicalho (CRP 05/26077).

Jaqueline propôs pensar o futuro a partir do presente e da memória e defendeu a descolonização do saber psicológico, com o reconhecimento da produção de conhecimento de povos negros, indígenas, periféricos, trans e comunidades tradicionais. “A verdadeira inovação é descolonizar o saber psicológico para a nossa psicologia”, afirmou.

Neuza relacionou o futuro da Psicologia à história da profissão, às políticas públicas e aos efeitos éticos e políticos de seus saberes e práticas. Ao abordar a inteligência artificial, destacou que as tecnologias também são produzidas a partir de conhecimentos construídos historicamente pela sociedade. Para ela, inovar significa produzir práticas éticas que promovam a autonomia sem perder de vista a memória dos saberes que constituíram a profissão.

Pedro Paulo Gastalho de Bicalho retomou sua relação com o CRP14/MS, desde sua participação no 1º Encontro Nacional Psicologia, Povos Indígenas e Direitos Humanos, realizado em Dourados em 2013, e apresentou três movimentos fundamentais para compreender a inovação da Psicologia brasileira: a autonomização da profissão, a construção de parâmetros éticos pelo Sistema Conselhos e a incorporação do compromisso social à atuação profissional. Nesse percurso, destacou a regulamentação da profissão, a criação do Sistema Conselhos e a aproximação da Psicologia com as políticas públicas e as lutas sociais, incluindo a luta antimanicomial e a construção do Sistema Único de Saúde (SUS) e da política de Assistência Social.

Ao final, a presidente do Conselho Regional de Psicologia de MS reforçou a importância de envolver quem está em formação nesse processo. “Vejo aqui alunas e alunos que estão construindo seu processo de formação e entendendo a responsabilidade que a Psicologia tem, é preciso entender o que a gente constrói junto na sociedade, qual é a nossa potência junto aos coletivos, à população e a valorização que a Psicologia precisa ter”.